7 Fundamentos Básicos

Termos uma boa base para sabermos avaliar onde estamos e para onde vamos é fundamental não só para chegarmos ao nosso destino com sucesso, como também para fazê-lo com eficiência.
Neste artigo pretendo ajudar a colocar os alicerces para uma melhor e mais célere eficácia nas decisões que tomamos e consequentemente na forma como trabalhamos. Não irei abordar de forma específica a edição de fotografias pois esse é um assunto que requer um artigo separado. Vou antes sugerir 7 questões práticas que cobrem as diferentes fases do processo criativo e a sua execução.

Rembrandt van Rijn: Evangelist Mathaus and Angel, 1661

01. Conhecer a nossa arte
Pode parecer básico mas a verdade é que nem sempre temos os conhecimentos que deveriam estar presentes quando nos começamos a definir enquanto artistas. É verdade que por vezes vamos por caminhos novos mas na maior parte existe já um percurso artístico, histórico e cultural que nos pode ajudar a construir o nosso próprio estilo. Mesmo quando queremos ser diferentes de todos, só nos faz bem conhecermos o trabalho dos que nos antecederam e daqueles que nos são contemporâneos. Vou dar dois exemplos. Eu gosto particularmente da iluminação de Rembrandt e é algo que utilizo algumas vezes na fotografia de retrato que faço. Saber as técnicas por detrás desse estilo não só facilita o meu trabalho como o torna mais fluido e criativo. Também se eu gosto de fotografia a preto e branco é natural que deva conhecer alguns dos seus grandes mestres ou saber o que é a “Zone System”. É impossível sabermos tudo mas este conhecimento básico pode ajudarmos bastante na tomada de decisões para que tudo seja mais rápido.

Comandos personalizados

02. Conhecer as nossas ferramentas
Este é outro aspecto que pode parecer essencial mas que é muitas vezes negligenciado. Lá na década de 90 quando comecei a dar os primeiros passos em edição de imagem ouvi a opinião de um “professor” a dizer que era impossível saber e usar todos os recursos do Photoshop. Ele não deixava de ter razão, isto porque cada artista tem as suas próprias necessidades e usa as ferramentas de que dispõe de forma particular. No caso do Photoshop, este também apresenta recursos para satisfazer as necessidades dos mais variados artistas pelo que cada um o usa de maneira diferente. Assim vários caminhos podem levar ao mesmo resultado. No entanto quando eu escolho por exemplo o Capture One como meu editor RAW, é bom que me dedique a aprender como funciona e como poderei tirar o máximo partido do mesmo no meu contexto de trabalho. Conhecer as nossas ferramentas também permite que as moldemos à nossa forma de trabalhar o que nos torna também mais eficientes.

Wacom Tablet Intuos Pro

03. Escolher as ferramentas certas
Nem sempre temos a oportunidade de ter à disposição as ferramentas ideais ou aquelas que gostaríamos. Mas quando isso é possível devemos ter o cuidado de as escolher de forma adequada. Este princípio serve tanto para o equipamento fotográfico e acessórios como também para o software que usamos (no contexto deste blog). Em relação ao equipamento este é um tema delicado pela muita oferta que existe, pela muita variedade de fotógrafos e estilos pessoais e também pela diversidade de trabalhos e seus requisitos próprios. Embora possam ser dadas sugestões, cabe a cada um avaliar quais as ferramentas que mais lhe convém. Em termos de software, hoje em dia podemos testar quase todos antes de escolhermos o que melhor se adequa a nós. Funcionalidades, formas de trabalhar e resultados são condições a ter em conta. Finalmente quero partilhar um exemplo pessoal. Uma das ferramentas que nos últimos anos mais influenciou o meu trabalho foi a aquisição de uma mesa Wacom. Já há algum tempo que fazia parte da minha lista de prioridades,  sabia bem o impacto que a mesma iria ter, mas por diversas razões fui protelando a aquisição da mesma. Hoje só posso recomendar vezes sem conta que considerem usar uma para todo o processo de edição de imagens. Optei pelo tamanho médio pois acho que é o melhor compromisso.

04. Avaliação das reais necessidades
Eu tenho uma característica que ocasionalmente pode torna-se um defeito, o de ser perfeccionista. Digo isto porque muitas vezes o que acontece com quem passa muito tempo a editar imagens é o de editar a mais. Como assim? É fácil de perceber quando compreendemos que as necessidade de edição de uma fotografia são diferentes quando a mesma é para ser utilizada numa rede social, numa revista ou num outdoor. Avaliarmos no inicio o fim a que se destina uma imagem pode poupar-nos muito tempo. O ser perfeccionista faz com que por vezes esqueça esta regra e edite ao mais ínfimo pormenor quando ninguém vai ver aquele cabelo perdido. Aqui surge um pormenor importante, o de editarmos sempre de forma não destrutiva. Mais sobre este assunto num próximo artigo.

Painéis Macro e Library com diversas acções gravadas.

05. Automatização
Quando trabalhamos de forma regular num determinado tipo de trabalho vemo-nos a realizar regularmente tarefas de forma repetitiva. Isto é uma verdade absoluta no que diz respeito à edição e retoque de imagens. Hoje em dia uma boa parte dos programas dão-nos a possibilidade de automatizar vários desses processos. No Capture One gosto de guardar estilos e “presets” para usar vezes sem conta mesmo quando estes sejam apenas um ponto de partida para um resultado totalmente diferente. No Affinity Photo utilizo Macros (actions) onde o leque de possibilidades é muito maior. Desde as mais simples funções aos mais complexos efeitos e estilos, sempre que possível guardo uma Macro para utilizar posteriormente. Aquilo que por vezes demorou imenso tempo a criar passa agora a estar à distância de um click.
Usem e abusem desta funcionalidade.

06. Pausas
A saturação é inimiga da perfeição. Quando passamos demasiado tempo a trabalhar numa imagem o normal é acontecer uma de duas coisas, ou começamos a editar de mais mesmo os pormenores que não precisam de ser editados, ou perdemos o rumo e passamos à frente de detalhes que precisavam de ser corrigidos. O ideal é fazermos pequenas pausas ou intercalarmos o que estamos a fazer com outras tarefas. O tempo entre períodos de trabalho e pausa depende de cada um mas normalmente ao fim de uma hora já começamos a “patinar”. Parece contraproducente esta sugestão mas acreditem que é um principio que vale a pena colocar em prática.

07. Organização
Uma das formas de sermos mais eficientes é mantermos uma metodologia de trabalho para todas as etapas do nosso projecto. A consistência e repetição de processos torna-nos mais rápidos e objectivos. Desde a renomeação das fotografias, à atribuição de palavras chave e classificação das mesmas passando pela ordem de como as editamos, tudo ajuda para criarmos uma rotina. Utilizando como exemplo o Capture One, eu tenho as ferramentas no ambiente de trabalho organizadas pela ordem habitual com que edito uma imagem. Dessa forma para mim este é um processo automatizado permitindo que eu fique livre para questões mais criativas.

Conclusão
Simples procedimentos e decisões podem fazer uma grande diferença, neste caso tempo. Normalmente são as pequenas coisas que contribuem para grandes resultados. Espero que algumas destas dicas possam ser úteis da mesma forma como o são para mim.
Alguns pontos abordados neste artigo serão alvo de um desenvolvimento mais aprofundado em futuros artigos.
Até lá boas criações.

 

Referências:
Rembrandt
Zone System
Photoshop
Capture One
Affinity Photo
Intuos Pro (Wacom)

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