Edição e Retoque – Dica #01

Esta dica pode aplicar-se à maioria dos programas de edição de imagem actuais mas neste caso irei demonstrá-la nos dois que fazem parte do meu habitual workflow digital, o Capture One e o Affinity Photo.

O primeiro é o Capture One e apesar deste não ser um programa com todos os recursos para corrigirmos problemas como sujidade, borbulhas, manchas, etc, apresenta ainda assim boas ferramentas para que possamos alcançar excelentes resultados sem a necessidade de recorrermos a outras aplicações.
Ao editarmos/limparmos uma imagem, há por vezes um ou outro pormenor que nos escapa e para prevenir essa situação existe um método simples para tornar visível o mais escondido dos problemas.

A técnica consiste em criarmos um novo Layer, escolhermos a opção Fill Mask e usarmos a ferramenta “Curves” para desenhar uma curva idêntica à da imagem acima. Esta pode variar e precisar de ser ajustada mas será sempre idêntica à que partilho. Por questões de organização chamo sempre a este layer Hide and Seek tendo-o activo ou não à medida que preciso. Este método é bastante eficaz a evidenciar esses problemas como podem ver pela imagem abaixo.

O segundo programa em que utilizo esta técnica é o Affinity Photo. Este com todos os recursos que necessitamos para fazer a mais complexa das edições/retoques de imagem. Mas ainda assim podemos enfrentar o mesmo problema e deixar escapar algo que deve ser removido. Podemos usar o mesmo método para evitar essas situações sendo que neste caso vamos a Layer > New Adjustment Layer > Curves Adjustment e fazemos uma curva como no exemplo do Capture One. Depois é só editar a imagem de preferência num layer independente de forma a não ser destrutivo.

Uma técnica paralela e que funciona particularmente bem para a pele é criarmos um “black & white adjustment layer” onde definimos o valor para o vermelho (Red) em -200, todo chegado à esquerda. Mediante o tom de pele podemos também ajustar o valor do amarelo (Yellow). A imagem abaixo é um exemplo disso.

Como este é um recurso que utilizo regularmente optei por criar no Affinity Photo duas Macros (actions) para cada um deles. Dessa forma todo o processo fica mais rápido. Se quiserem passar a usar estes recursos podem fazer o download das Macros que criei nos links abaixo.
Espero que esta dica possa ser útil e se quiserem subscrevam o meu blog para ficarem a par das próximas novidades.

Até breve

 

Referências:
Capture One
Affinity Photo

Downloads:
Hide and Seek – Curves Method.afmacros
Hide and Seek – B&W Method.afmacros

7 Fundamentos Básicos

Termos uma boa base para sabermos avaliar onde estamos e para onde vamos é fundamental não só para chegarmos ao nosso destino com sucesso, como também para fazê-lo com eficiência.
Neste artigo pretendo ajudar a colocar os alicerces para uma melhor e mais célere eficácia nas decisões que tomamos e consequentemente na forma como trabalhamos. Não irei abordar de forma específica a edição de fotografias pois esse é um assunto que requer um artigo separado. Vou antes sugerir 7 questões práticas que cobrem as diferentes fases do processo criativo e a sua execução.

Rembrandt van Rijn: Evangelist Mathaus and Angel, 1661

01. Conhecer a nossa arte
Pode parecer básico mas a verdade é que nem sempre temos os conhecimentos que deveriam estar presentes quando nos começamos a definir enquanto artistas. É verdade que por vezes vamos por caminhos novos mas na maior parte existe já um percurso artístico, histórico e cultural que nos pode ajudar a construir o nosso próprio estilo. Mesmo quando queremos ser diferentes de todos, só nos faz bem conhecermos o trabalho dos que nos antecederam e daqueles que nos são contemporâneos. Vou dar dois exemplos. Eu gosto particularmente da iluminação de Rembrandt e é algo que utilizo algumas vezes na fotografia de retrato que faço. Saber as técnicas por detrás desse estilo não só facilita o meu trabalho como o torna mais fluido e criativo. Também se eu gosto de fotografia a preto e branco é natural que deva conhecer alguns dos seus grandes mestres ou saber o que é a “Zone System”. É impossível sabermos tudo mas este conhecimento básico pode ajudarmos bastante na tomada de decisões para que tudo seja mais rápido.

Comandos personalizados

02. Conhecer as nossas ferramentas
Este é outro aspecto que pode parecer essencial mas que é muitas vezes negligenciado. Lá na década de 90 quando comecei a dar os primeiros passos em edição de imagem ouvi a opinião de um “professor” a dizer que era impossível saber e usar todos os recursos do Photoshop. Ele não deixava de ter razão, isto porque cada artista tem as suas próprias necessidades e usa as ferramentas de que dispõe de forma particular. No caso do Photoshop, este também apresenta recursos para satisfazer as necessidades dos mais variados artistas pelo que cada um o usa de maneira diferente. Assim vários caminhos podem levar ao mesmo resultado. No entanto quando eu escolho por exemplo o Capture One como meu editor RAW, é bom que me dedique a aprender como funciona e como poderei tirar o máximo partido do mesmo no meu contexto de trabalho. Conhecer as nossas ferramentas também permite que as moldemos à nossa forma de trabalhar o que nos torna também mais eficientes.

Wacom Tablet Intuos Pro

03. Escolher as ferramentas certas
Nem sempre temos a oportunidade de ter à disposição as ferramentas ideais ou aquelas que gostaríamos. Mas quando isso é possível devemos ter o cuidado de as escolher de forma adequada. Este princípio serve tanto para o equipamento fotográfico e acessórios como também para o software que usamos (no contexto deste blog). Em relação ao equipamento este é um tema delicado pela muita oferta que existe, pela muita variedade de fotógrafos e estilos pessoais e também pela diversidade de trabalhos e seus requisitos próprios. Embora possam ser dadas sugestões, cabe a cada um avaliar quais as ferramentas que mais lhe convém. Em termos de software, hoje em dia podemos testar quase todos antes de escolhermos o que melhor se adequa a nós. Funcionalidades, formas de trabalhar e resultados são condições a ter em conta. Finalmente quero partilhar um exemplo pessoal. Uma das ferramentas que nos últimos anos mais influenciou o meu trabalho foi a aquisição de uma mesa Wacom. Já há algum tempo que fazia parte da minha lista de prioridades,  sabia bem o impacto que a mesma iria ter, mas por diversas razões fui protelando a aquisição da mesma. Hoje só posso recomendar vezes sem conta que considerem usar uma para todo o processo de edição de imagens. Optei pelo tamanho médio pois acho que é o melhor compromisso.

04. Avaliação das reais necessidades
Eu tenho uma característica que ocasionalmente pode torna-se um defeito, o de ser perfeccionista. Digo isto porque muitas vezes o que acontece com quem passa muito tempo a editar imagens é o de editar a mais. Como assim? É fácil de perceber quando compreendemos que as necessidade de edição de uma fotografia são diferentes quando a mesma é para ser utilizada numa rede social, numa revista ou num outdoor. Avaliarmos no inicio o fim a que se destina uma imagem pode poupar-nos muito tempo. O ser perfeccionista faz com que por vezes esqueça esta regra e edite ao mais ínfimo pormenor quando ninguém vai ver aquele cabelo perdido. Aqui surge um pormenor importante, o de editarmos sempre de forma não destrutiva. Mais sobre este assunto num próximo artigo.

Painéis Macro e Library com diversas acções gravadas.

05. Automatização
Quando trabalhamos de forma regular num determinado tipo de trabalho vemo-nos a realizar regularmente tarefas de forma repetitiva. Isto é uma verdade absoluta no que diz respeito à edição e retoque de imagens. Hoje em dia uma boa parte dos programas dão-nos a possibilidade de automatizar vários desses processos. No Capture One gosto de guardar estilos e “presets” para usar vezes sem conta mesmo quando estes sejam apenas um ponto de partida para um resultado totalmente diferente. No Affinity Photo utilizo Macros (actions) onde o leque de possibilidades é muito maior. Desde as mais simples funções aos mais complexos efeitos e estilos, sempre que possível guardo uma Macro para utilizar posteriormente. Aquilo que por vezes demorou imenso tempo a criar passa agora a estar à distância de um click.
Usem e abusem desta funcionalidade.

06. Pausas
A saturação é inimiga da perfeição. Quando passamos demasiado tempo a trabalhar numa imagem o normal é acontecer uma de duas coisas, ou começamos a editar de mais mesmo os pormenores que não precisam de ser editados, ou perdemos o rumo e passamos à frente de detalhes que precisavam de ser corrigidos. O ideal é fazermos pequenas pausas ou intercalarmos o que estamos a fazer com outras tarefas. O tempo entre períodos de trabalho e pausa depende de cada um mas normalmente ao fim de uma hora já começamos a “patinar”. Parece contraproducente esta sugestão mas acreditem que é um principio que vale a pena colocar em prática.

07. Organização
Uma das formas de sermos mais eficientes é mantermos uma metodologia de trabalho para todas as etapas do nosso projecto. A consistência e repetição de processos torna-nos mais rápidos e objectivos. Desde a renomeação das fotografias, à atribuição de palavras chave e classificação das mesmas passando pela ordem de como as editamos, tudo ajuda para criarmos uma rotina. Utilizando como exemplo o Capture One, eu tenho as ferramentas no ambiente de trabalho organizadas pela ordem habitual com que edito uma imagem. Dessa forma para mim este é um processo automatizado permitindo que eu fique livre para questões mais criativas.

Conclusão
Simples procedimentos e decisões podem fazer uma grande diferença, neste caso tempo. Normalmente são as pequenas coisas que contribuem para grandes resultados. Espero que algumas destas dicas possam ser úteis da mesma forma como o são para mim.
Alguns pontos abordados neste artigo serão alvo de um desenvolvimento mais aprofundado em futuros artigos.
Até lá boas criações.

 

Referências:
Rembrandt
Zone System
Photoshop
Capture One
Affinity Photo
Intuos Pro (Wacom)

Veni, Vidi, Vici

Referenciar as aplicações Affinity Photo e Designer com a expressão “Veni, Vidi, Vici” (Chegar, Ver, e Vencer) é algo que eu poderia ter feito desde o primeiro dia em que utilizei as primeiras versões Beta de ambas. O impacto que criaram foi tão positivo que ainda nessa fase comecei a implementá-las no meu workflow. Mas antes de chegar lá quero partilhar um pouco do meu percurso e de como hoje o Affinity Photo e o Affinity Designer são os meus programas de eleição para os trabalhos de imagem e design respectivamente.

O meu primeiro contacto com esta área da criação digital aconteceu lá na década de 90. Na área da fotografia as opções eram poucas e quase todas as escolhas recaíam no Adobe Photoshop. A minha não foi diferente. Em termos de design e trabalho vectorial, cheguei a utilizar o Corel Draw, o FreeHand e o Adobe Illustrator assim como outras aplicações mais especializadas em determinadas áreas mas que eram apenas recursos pontuais. Deixei de usar o Corel Draw porque deixou de ter suporte para Mac e via no FreeHand uma melhor opção para o tipo de trabalho que realizava. Deixei de usar o FreeHand porque este foi de certa forma “aniquilado” pela Adobe que em parte fazia concorrência ao Illustrator. Passei assim a utilizar o Adobe Illustrator sendo sem dúvida a melhor companhia para o Photoshop. Pelo meio passei também a usar o InDesign.

Efeitos complexos no Affinity Photo para um tutorial.

É por isso fácil de ver que durante vários anos fui um utilizador diário de vários programas da Adobe e a verdade é que durante esse tempo só tive coisas boas a dizer (com a excepção de terem acabado com o FreeHand). Sem concorrência à altura construíram uma reputação que considero merecida e passaram facilmente a ser a referência no mercado, algo que perdura até hoje e que pode ser facilmente constatado pela utilização generalizada da palavra Photoshop mesmo por pessoas que nunca trabalharam com este programa, e também pelos requisitos em propostas de emprego da área onde o saber utilizar o mesmo é uma constante.

Mas este domínio absoluto do mercado apresentava a meu ver riscos, riscos para os utilizadores e riscos para a Adobe. Face a esta situação o que acabamos por sentir é que a inovação a que estávamos habituados pareceu estar estagnada, A cada nova actualização (a pagar) não víamos nada de realmente inovador. Devo reconhecer que na realidade talvez não precisássemos nada de novo mas era o próprio mercado que impelia à inovação e a novos recursos/formas de fazer as coisas. O crescente movimento da fotografia e consequentes fotógrafos requeria também novas ferramentas muitas delas para corrigir os erros fotográficos dos mais desatentos ou menos capazes.

Catálogo completo no Affinity Designer (enquanto espero pelo Affinity Publisher).

Por esta altura a Adobe decide mudar a sua política em termos de preços e actualizações, passando agora a ser necessário subscrever e pagar mensalmente um determinado valor que variava e varia mediante as aplicações que utilizamos. Devo ser sincero e dizer que para mim isto foi um ponto final. E digo-vos que não fui caso isolado, muitos receberam com desagrado esta novidade. Mas para onde ir? Que alternativas teria? Muitos conformaram-se e aderiram a este novo plano, outros ficaram parados no tempo utilizando ainda hoje as versões CS5 ou CS6  e um terceiro grupo começou a procurar por alternativas. Eu estive por pouco tempo no grupo dos estagnados para passar rapidamente a procurar alternativas. Porque motivos ficaria eu preso a uma empresa com uma política com a qual eu não me identificava?…

Felizmente e no espaço de pouco tempo passei a ouvir rumores de uma nova aplicação que estava a agitar o mercado e a levantar grandes expectativas, o Affinity Photo. Assim que foi possível fiz o download da versão Beta e comecei a testá-lo no meu workflow habitual. Não foi preciso muito para ficar convencido e integrá-lo em todo o meu trabalho ainda que estivesse perante um versão de teste. Não tive grandes problemas de performance/estabilidade ou funcionalidades para que sentisse que tinha de esperar mais. Pouco tempo depois era a vez de passar a usar o Affinity Designer. Ambas as aplicações estão mais do que bem implementadas e isso está também patente nos diversos prémios que entretanto já ganharam.

No Affinity Photo a preparar um conjunto de mock-ups para logotipos a disponibilizar em breve.

Para o meu trabalho encontrei uma alternativa mais do que viável quer para o Photoshop quer para o Illustrator. Não estamos perante aplicações que fazem tudo e da mesma maneira que as suas congéneres. É verdade que faltam algumas coisas, mas também é verdade que de alguma forma consegui arranjar na maioria das vezes abordagens diferentes para conseguir os mesmos resultados. Há aspectos em que são muito melhores e outros em que precisam de crescer um pouco mais. Também devo reconhecer que ultimamente a Adobe parece ter “acordado” e tem apresentado novidades muito interessantes nas suas aplicações mas a sua política de subscrição mensal é algo que não é para mim além de que estou mais do que satisfeito com o Affinity Photo e Affinity Designer.

Trabalhar com estas duas novas aplicações também me ajudou a deixar de lado algum comodismo e abordar com uma visão criativa rejuvenescida todo o meu trabalho. O impacto de ambas no meu workflow foi tão positivo que decidi adoptá-las nos workshops que costumo realizar, em particular o Affinity Photo em detrimento do Photoshop. Esta decisão não foi fácil e apresentou um certo risco pois o normal é as pessoas pedirem formação no Photoshop. Mas eu estou contente com a opção que tomei e hoje cada vez mais aposto em mostrar que existem excelentes alternativas ao universo Adobe.
Com esta decisão comecei também a colocar em prática uma ideia antiga, a de disponibilizar artigos e tutoriais de como podemos utilizar quer o Affinity Photo quer o Affinity Designer para os mesmos fins criativos daqueles à que a maioria ainda está habituado no mundo paralelo do Photoshop e Illustrator.

A dar os últimos retoques num novo logotipo no Affinity Designer.

Por esse motivo deixo o convite a todos os que me quiserem seguir no meu canal no Youtube e aqui no meu Blog onde podem ver não só os artigos e tutoriais que já publiquei como os que futuramente irei partilhar. Essa é a melhor forma de verem pelo meu ponto de vista e mais em pormenor as capacidades de ambas e que é a base de eu dizer que ambas chegaram, viram e já venceram. Só posso dizer que farei um esforço sincero em partilhar o que aprendi (e continuo a aprender) e o que tenho vindo a descobrir nestas aplicações fantásticas, mesmo porque paralelamente à minha paixão pela fotografia alimento a minha paixão por ensinar.

Ao terminar este artigo quero deixar o meu agradecimento a toda a equipa e empresa que criou ambas as aplicações, a Serif. A sua dedicação em nos disponibilizar uma alternativa tão profissional e o suporte que em particular é sentido no Forum oficial é mais do que digna de menção e reconhecimento. Apenas deixar a nota que de aguardo paciente o Affinity Publisher…

Até breve

Referências:
Affinity Photo
Affinity Designer
Corel Draw
FreeHand
Forum
Adobe
Serif
Youtube
Blog

Qualidade Suprema

Falar do Capture One é sinónimo de falar de qualidade no que diz respeito a edição RAW. Mas antes de abordar essa particularidade inerente ao programa quero fazer uma declaração: eu fui “forçado” a trabalhar com o Capture One. Não foi a minha escolha primária no que diz respeito a editar ficheiros RAW mas apesar de parecer uma constatação um tanto ou quanto tola, o impacto que essa mudança teve no meu workflow foi uma das melhores coisas que aconteceu ao meu trabalho e por isso considero ser digna de ser partilhada.

Sempre me vi em busca da melhor qualidade possível, não só na fotografia como também nas simples coisas do dia-a-dia. Fazer as coisas bem era e é algo que faz parte de mim. Dessa forma e como uso equipamento Nikon, foi com naturalidade que optei pelo Capture NX, o programa de edição RAW da Nikon. Apesar de ser um programa que precisava de algumas melhorias, aquilo que eu mais procurava estava lá, qualidade. As fotografias editadas neste programa eram simplesmente diferentes e apesar de alguns não concordarem comigo, para um utilizador Nikon era a escolha certa para quem queria o melhor.

Mas os tempos mudam e durante bastante tempo a Nikon deixou o seu programa num aparente abandono, pelos menos era essa a ideia que transparecia cá para fora. Nesse período de incertezas muitos fotógrafos como eu viram-se em busca de outras soluções que lhes dessem garantias de continuidade. Depois de algumas pesquisas e testes acabei por optar pelo Aperture da Apple. Não posso dizer que a qualidade que se podia extrair dum ficheiro RAW da Nikon era a mesma mas estava lá muito perto. No entanto tinha uma grande vantagem, tudo pareciar mais simples e intuitivo, algo que a Apple já nos tinha habituado.

Durante o período em que fui um fiel utilizador do Aperture a Nikon lançou um reformulado Capture NX passando agora a ser D. No entanto nunca me convenceu o suficiente para voltar. Nesta edição tinha também perdido outro dos seus grandes trunfos, a edição com a tecnologia U-Point (Nik Software, Google Nik e agora DXO Photo Lab – mais sobre esta aplicação no final do artigo). Durante este tempo nunca deixei de ver outras opções e testei aplicações como o Lightroom (Simplesmente nunca gostei, resultados, forma de trabalhar, etc. Pode ser defeito meu mas na altura falhava em muita coisa dentro do meu  workflow. Hoje e com a política actual da Adobe nem sequer considero apesar de ter melhorado.), DXO Optics Pro/DXO Photo Lab (Fiquei convencido e passou a fazer parte do meu arsenal de programas para edições com necessidades específicas. Em determinados aspectos é o melhor que existe.), Capture One (O melhor editor RAW a par com o Capture NX. Nunca os comparei lado a lado pois nunca achei que seria uma comparação pertinente mas fiquei rendido aos resultados. O único senão na altura foi a abordagem em temos de workflow que não implicava ser melhor ou pior, era apenas diferente da minha e à qual já estava automatizado pelo que na altura criei alguma resistência a voltar de certa forma à estaca zero.)  e OnOne (Faltava uma boa base na edição RAW que para mim é muito importante para na altura considerar como uma alternativa. No resto só tenho coisas boas a dizer. Mudou para muito melhor com a última versão – On1 Photo Raw.).

Mas os tempos mudam e incrédulo assisti à Apple anunciar que iria abandonar o Aperture. Mais uma vez eu e muitos lá tivemos que encontrar outras soluções só que desta vez eu já sabia mais ou menos o caminho a seguir. A minha escolha acabou por recair no programa que melhor cumpria o meu requisito primário, a qualidade. Passei desde essa altura a trabalhar com o Capture One e neste momento nem olho para trás. A resistência que mencionei antes acabou por se tornar secundária e irrelevante mesmo porque para alguém com experiência neste mundo de edição digital, facilmente se integra com a forma de fazer as coisas do Capture One.

Mas à parte da qualidade o Capture One reúne uma série de características que o tornam numa das melhores opções para a edição de ficheiros RAW. Com a recente actualização para a versão 11 vemos uma serie de funcionalidades melhoradas e outras acrescentadas. E é com base nesta última actualização que gostava de partilhar as sete características que mais gosto no Capture One.

01. Qualidade
Eu sei que já o mencionei várias vezes neste artigo mas nunca é demais reforçar que a qualidade com que editamos um ficheiro RAW é algo que salta à vista.  Logicamente que outras aplicações também conseguem excelentes resultados mas a ideia que fica é que o ponto de partida no Capture One está mais à frente o que implica muitas vezes menos trabalho de edição.

02. Personalização do UI
A capacidade de personalizarmos a área de trabalho do Capture One nem sempre recebe o destaque que merece, mas este é um aspecto que melhora em muito a fluidez com que trabalhamos. Ter o “workspace” à nossa medida, desde a “toolbar”, “tool tabs”, painéis, atalhos entre outros faz toda a diferença quando se contam em horas por dia o tempo que passamos a editar imagens. Futuramente irei partilhar um tutorial de como tirarmos o melhor partido desta funcionalidade.

03. Ajuste de Cor
Esta é possivelmente uma das características mais evidenciadas do Capture One e percebesse bem porquê. As opções disponíveis permitem uma utilização tanto a nível de correções como a nível criativo com resultados fantásticos. Desde a ferramenta “Curves” à “Levels” passando pelo “Color Balance” e pelo “Color Editor” que permite trabalhar os tons de pele, todas nos dão imensas soluções para conseguirmos o melhor e mais criativo dos resultados.

04. Layers
Desde há várias versões que o Capture One contava com uma funcionalidade chamada de “Local Adjustments”. Basicamente permitia determinados ajustes localizados com o uso de máscaras. Na última actualização esta opção passou a chamar-se Layers não sendo esta mudança apenas a nível de nomenclatura. A partir de agora esta opção está disponível para quase todas as ferramentas, permite ajustar a opacidade o que nos dá um maior controlo sobre as correções que fazemos e possibilita uma melhor organização em termos de workflow, pois podemos organizar em “layers” separados os ajustes referentes a cor, exposição, etc.

05. Máscaras
Normalmente a criação de máscaras complicadas estava restrita a uma série de aplicações especializadas nessa área. Mas com a versão 11 do Capture One essa realidade mudou. Dentro do próprio programa temos agora a opção de criar máscaras elaboradas recorrendo às anteriormente existentes ferramentas “Brush”, “Erase” e “Gradient” mas com a possibilidade de usar as novas “Feather Mask” e “Refine Mask”. Os resultados são excelentes. Passamos também a poder ver as máscaras que criamos a preto e branco, uma opção que permite um melhor ajuste das mesmas.

06. Anotações
Esta é uma funcionalidade completamente nova. Pessoalmente e tendo em conta que sou eu que edito as minhas próprias imagens, comecei a usar as Anotações no sentido de criar e guardar informações sobre os aspectos duma imagem que precisam de ser corrigidos ou ajustes que pretendo fazer no futuro. Mesmo quando termino a edição de uma imagem guardo essas indicações para ter uma referência futura das decisões e processo criativo feitas na altura. Para os fotógrafos que confiam a edição das suas imagens a um serviço externo, esta funcionalidade poderá ter ainda mais importância pois permite passar essas mesmas indicações no próprio ficheiro sem ser necessário escrever um documento de texto ou criar algo mais gráfico noutro programa.

07. Compatibilidade
Não vivemos isolados por isso a compatibilidade do Capture One é digna de ser mencionada. Também acredito que só tem a ganhar com isso. Assim sendo e apesar de estarmos a falar de um editor RAW puro, o mesmo permite a edição de ficheiros TIFF, JPEG e PNG. É também totalmente compatível com ficheiros PSD permitindo intercalar entre ambas as aplicações mediante as necessidades de edição que temos. No entanto gostava de ver no futuro essa compatibilidade com ficheiros do Affinity Photo, a aplicação que eu considero a sensação do momento e que veio para ficar.

Conclusão
Apesar de tantas coisas boas existem alguns aspectos a considerar. Não nos esqueçamos que estamos perante um editor de ficheiros RAW e que existem coisas que estão para além dos objectivos para o qual o Capture One foi criado. Mas dentro dessa área de acção estamos possivelmente perante um dos melhores editores RAW senão o melhor. É de dar os parabéns a toda a equipa que está por detrás deste programa pela dedicação e inovação que têm trazido upgrade após upgrade. Como alternativa quero deixar a indicação que se fosse novamente “forçado” a mudar, iria inteiramente para o DXO Photo Lab. Continua a fazer parte do meu workflow pois tem algumas funcionalidades únicas e com a recente inclusão da tecnologia U-Point é uma opção que não pode de todo ser descartada.

Nota:
A opinião que partilho é baseada na minha experiência pessoal. A mesma pode ser diferente da maioria das pessoas mas não deixa de ser sincera e baseada no meu próprio workflow. Ninguém me paga para falar bem (ou mal) de aplicação X ou Y. Apenas acredito que a minha visão e experiência possa ajudar outros num caminho que já percorri antes.
Espero que isso seja uma realidade.

Regresso ao Futuro

Dizia eu há um ano atrás que à terceira era de vez, e foi mesmo. Novo site, novo blog e tudo a correr às mil maravilhas. No entanto no mesmo artigo também referi que esta “nova” aventura não iria ser “pêra doce”. Reconhecia à partida que mais à frente os obstáculos iriam surgir e por isso a diferença entre o querer e o poder seria mais ou menos notória.

Assim sendo, e depois duma série de artigos e vídeos publicados, uma agenda demasiado preenchida fez-me protelar a publicação de novos conteúdos, pelo menos até agora. Mas essa situação acabou por ser positiva já que nesse período tive oportunidade de preparar o mais diverso material que irá ver agora a luz do dia de forma regular.

Esta pausa também permitiu uma melhor integração do meu blog com a realidade dos meus subscritores. Entre outros pequenos ajustes quero destacar que a partir de agora todos os artigos irão ser disponibilizados em português e em inglês. Basta seleccionar a língua pretendida na “sidebar” de cada artigo publicado. Esses artigos continuarão a ter um carácter mais prático do que teórico, onde irá ser disponibilizado de forma gratuita os recursos criados nos mesmos sempre que isso se mostre pertinente.

Por isso digamos que isto é um regresso aos objectivos do passado com os olhos posto no futuro. O convite mantém-se pois esta viagem é para ser feita acompanhado. Junta-te a mim e até já…